Orar é falar com Deus

Sobre a dor da alma

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Mateus 27:46

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Quando estava na cruz, Jesus pronunciou palavras que expressavam o mais completo abandono. Na hora de seu maior sofrimento, o fado de Deus bradou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” 

Teólogos debateram essa frase durante anos, mas uma coisa é certa: não é uma declaração de falta de fé. Trata-se da consequência de um trauma psicológico. Um trauma muito intenso nos da uma imensa sensação de solidão. Se você já se sentiu abandonado por Deus em seu sofrimento, não é o único.
O próprio Jesus experimentou esse tipo de dor. O sofrimento traumático é tolerável se não tivermos de atravessá-lo sozinho. 
Um dos melhores livros sobre o tema do sofrimento no último século é O problema do sofrimento, de C. S. Lewis. Depois que escreveu o livro, Lewis conheceu Joy Gresham, uma poetisa americana que estava estudando na Inglaterra. Casaram-se, e Lewis desenvolveu com ela um profundo relacionamento amoroso, diferente de tudo que conhecera ate então. Mas, tragicamente, Joy morreu de câncer, deixando o marido inconsolável e desesperançado. 
Foi depois desse grande sofrimento que ele escreveu A anatomia de uma dor: um luto observado, sua própria história de superação da intensa dor do luto e da perda. 
Lewis escreveu: Enquanto isso, onde está Deus? Esse é um dos sintomas mais inquietantes. Quando você está feliz, tão feliz que não tem nenhuma necessidade Dele… e se volta para Ele com gratidão e louvor, é recebido de braços abertos. Mas vá até Ele quando estiver em desespero, quando tudo parece ter sido em vão, e o que encontrará? Uma porta fechada e o barulho de uma tranca sendo passada duas vezes. Depois disso, um silêncio. Você pode ir embora. 
A franqueza de Lewis nos ajuda a entender a intensidade do sofrimento. O trauma provoca a sensação de que ninguém é capaz de nos compreender. Se a dor for muito grande, ela pode nos afastar das outras pessoas e até de Deus.
Não é uma falha ou uma fraqueza. É uma característica do trauma pelo qual podemos passar um dia. Se isso acontecer, provavelmente nos sentiremos sozinhos e amedrontados. Embora a Bíblia não explique bem o porquê dessa dor, ela nos oferece boas sugestões para lidar com ela. 

A coisa mais importante que Deus nos concedeu para que o sofrimento nos faça crescer, em vez de nos derrotar, é a Sua presença. Quando estiver sofrendo, volte-se para Ele e peça-Lhe para ser sua força. Como psicólogo, sei que o sofrimento traumático é tolerável se não tivermos de atravessá-lo sozinho.

Deus também não deseja isso. Ele prometeu estar presente para nos sustentar em momentos de necessidade. É assim que Deus cura a dor.
(Fonte: Como Deus cura a Dor – Mark W. Baker)

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