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Antecipar a decepção

“Em seguida voltará os olhos para a terra; por toda parte só se vê angústia, escuridão, noite de aflição e trevas dissolventes.” Isaías 8:22

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Para se protegerem de um possível sofrimento futuro, algumas pessoas antecipam a decepção, esperando o pior, sem perceberem as consequências negativas dessa atitude. Sua logica é: se imagino que isso vai acontecer, vou sofrer menos. No entanto, antecipar a decepção é quase sempre pior do que a própria decepção.

Celina é uma mulher de negócios talentosa, bem casada e mãe de duas crianças maravilhosas. Seu marido é um arquiteto bem-sucedido e pai dedicado. À primeira vista, eles parecem formar uma família perfeita. Sucesso no trabalho e felicidade em casa. Quem poderia querer mais?

No entanto, Celina procurou a terapia porque as coisas nem sempre correspondem às aparências. Ela trabalhava para uma empresa na qual frequentemente era solicitada a fazer apresentações. Era uma boa comunicadora e muito respeitada pelos colegas, mas isso não a ajudava nos dias que antecediam as palestras. Embora tivesse sucesso na maioria das vezes, ela ficava se torturando por antecipação.
– Tenho outra grande apresentação nesta terça – disse Celina, ansiosa.
– Você parece nervosa – respondi.
– Bem, um de meus sócios na empresa vai estar lá – acrescentou tensa.
– E, na última vez em que ele esteve presente, ficou sentado, quieto. Não esboçou um sorriso, um sinal, nada. O que é que ele estava pensando? O que é que eu preciso fazer para ser aprovada por ele? Acho que esse homem tem algo contra as mulheres.
– É desgastante ser mulher numa carreira em que os homens predominam – comentei.
– Eu sei. Nunca sinto que estou dando o que eles querem. Meu pai é que estava certo. Eu não deveria ter me metido nisso – disse, colocando o rosto entre as mãos.

O que era estranho na ansiedade de Celina é que suas apresentações eram sempre bem-sucedidas, o que deveria aumentar sua segurança. Mas bastavam uma ou duas reações de desapontamento para martirizá-la. À medida que sua terapia avançava, descobrimos um ponto importante na ansiedade de Celina e em seu medo do trabalho. Ela estava antecipando a decepção.

Celina era a irmã mais nova de Alan, o filho brilhante que os pais valorizavam. Cresceu ouvindo elogios entusiásticos sobre as realizações do irmão e sua importância como o “filho mais velho”. Viver sob essa sombra deu a Celina a sensação de que desapontava constantemente os pais. Sair-se bem na escola ou em atividades extracurriculares nunca era suficiente. Ela jamais seria como o irmão e não havia nada que pudesse fazer a respeito. Ele era o principal motivo de orgulho dos pais. Ela era apenas a irmã mais nova de Alan.

Antecipar a decepção é quase sempre pior do que a própria decepção. A mudança é lenta, mas Celina está percebendo que as raízes de seu sentimento remontam à infância e que tentar se proteger do desapontamento, antecipando-o, não ajuda em nada.

Durante muitos anos ela se via como uma constante decepção para os pais, mas agora é adulta e não depende da aprovação dos outros para saber quem é. É claro que nem todas as suas palestras serão um sucesso e que algumas pessoas ficarão desapontadas. Mas não significa que ela seja uma decepção.

Em vez de tomar posse de seu valor e de se alegrar, Celina direcionava sua energia para se prevenir da decepção que antecipava. E isso estava causando um sofrimento desnecessário em sua vida.

A Bíblia nos diz que há pessoas como Celina que só verão angústia, escuridão, noite de aflição e trevas dissolventes. Mas a antecipação negativa traz sempre um sofrimento inútil e desgastante. Em vez de antecipar a decepção, elas devem desenvolver a capacidade de tolerá-la se e quando vier.

Causar decepção não significa que você seja uma decepção. Decepções surgem durante a vida, é preciso coragem e sabedoria para conviver com elas. Nosso objetivo não deve ser uma vida sem decepções, pois isso é impossível. E ter força para lidar com elas quando surgirem. Deus disse: “Aquele que me escuta, porém, habitará com segurança, viverá tranquilo, sem recear dano algum”. É claro que isso não significa que nenhum mal vai lhe acontecer. Basta ler a Bíblia para descobrir que pessoas dedicadas a Deus tiveram de lidar com muita dor e sofrimento. O que realmente significa é que, se confiarmos em Deus, não precisaremos temer o mal, pois, quando ele vier, Deus nos dará capacidade para lidar com ele.

Aprender a tolerar e lidar com as decepções – em vez de antecipá-las – é de grande ajuda na vida.

(Fonte: Como Deus cura a Dor – Mark W. Baker)

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